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Na oposição em Pernambuco marcada pela divisão, Armando Monteiro pode ser exemplo, sem ser candidato

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Quando comandava o PTB em Pernambuco, Armando Monteiro mandava no partido. É importante lembrar isso para comparar com a atitude que ele teve ao entrar no PSDB.

O ex-senador e ex-ministro não exigiu ser presidente estadual, não obrigou a direção a lhe dar grandes benefícios, nada.

Fez questão de dizer que estava ali para somar e se integrou.

Precisava de um teto partidário e queria algo sólido. Devia apenas ser uma sigla com história, que defendesse os mesmos valores que ele defende.

Chama atenção, porque no sistema partidário fisiológico em que vivemos, o natural seria que ele buscasse um partido de aluguel, com pouca ou nenhuma força política local, para ter controle sobre seu destino e não dividir espaço com ninguém.

Raquel Lyra, prefeita de Caruaru, é apontada como uma das fortes possibilidades para encabeçar a chapa da oposição.

Pra que não restasse dúvida de que chegou para somar, a primeira pauta do ex-senador no ninho tucano foi opinar que ela deveria assumir o controle da sigla no estado. Raquel saiu fortalecida.

Fontes dentro do PSDB dizem que o argumento para ela assumir o partido foi bem simples: “se o objetivo é ser protagonista, porque ela não comandaria o próprio partido?”.

Além de fortalecer Raquel, Armando tem citado sempre outros nomes da oposição, como Miguel Coelho (MDB). Priscila Krause (DEM) também está nas conversas. Até Daniel Coelho (Cidadania), que teve atritos com Mendonça Filho (DEM) e parte do grupo em 2020, é lembrado.

O ex-senador entende que a palavra chave da próxima eleição será renovação. É hora de apresentar novos rostos para o eleitor. O PSB trabalhou isso com João Campos (PSB) e a oposição percebeu a necessidade.

Ele deixa claro, ainda, que a renovação é algo que vai além da idade. “Ela deve incorporar sobretudo novas mentalidades, condição primordial para que se possa oferecer a Pernambuco uma agenda verdadeiramente nova”, explica.

Tendo sido o candidato majoritário nas últimas duas eleições locais, Armando estar com isso em mente é simbólico.

Quando perdeu a eleição em 2018 (com uma diferença de 0,24%) Armando Monteiro foi muito criticado por não declarar apoio a nenhum candidato presidencial. Muitos diziam que, se ele tivesse aproveitado a “onda Bolsonaro”, teria ido pro segundo turno e, talvez, vencido a eleição.

A quem comenta o assunto com ele, hoje, dois anos e meio depois, responde convicto que não se arrepende. “Bolsonaro representa tudo que eu repudio”, diz. “Olha como está a situação hoje”, completa.

Em entrevista à Rádio Jornal, pouco antes da eleição de 2018, o então senador usou uma expressão que repercutiu muito na época, para se referir a Bolsonaro quando foi colega dele na Câmara dos Deputados: “ele era bisonho”.

Depois de ter sido ministro de Dilma Rousseff (PT) e ter resistido com ela até o fim do processo de impeachment, diz que hoje não apoia o PT, nem Lula (PT) para presidente.

“Ele já teve a oportunidade de servir ao país. A gente tem que olhar pra frente”, afirma, dizendo que vai buscar o caminho do centro democrático.

Equilíbrio e senso de coletividade, talvez, tenha sido o que faltou na eleição do Recife em 2020 para a oposição.

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